Parábola para namorados
2 de dezembro de 2015
Aprendi
2 de dezembro de 2015

Precisando de Amor

Quem não gosta de ser amado? Ser paparicado? Receber atenção especial, presentinhos e beijinhos doces? Quem não gosta de surpresinhas gostosas, beijo na boca e abraços apertados? Quem de livre e espontânea vontade prefere a solidão a uma boa companhia?

Ora, todo mundo quer uma boa companhia e de preferência para o todo sempre. Mas conviver com essa boa companhia diariamente por 3, 5, 15, 25 anos é que é o difícil. Não adianta você dizer que depois de três meses apenas que encontrou o amor de sua vida, porque o amor precisa de convivência para ser devidamente testado. Nesse mundo maluco e agitado, as pessoas estão se encontrando hoje, se amando amanhã e entrando em crise depois de amanhã. Uma coisa frenética e louca que tem feito muita gente, que se julgava equilibrada, perder os parafusos e fazer muita besteira.

Paixão, loucura e obsessão, três dos mais perigosos ingredientes que estão crescendo nos relacionamentos de hoje em dia por causa da velocidade das informações e o medo de ficar sozinho. As pessoas não estão conseguindo conviver sozinhas com seus defeitos, vícios e qualidades, e partem desesperadamente para encontrar alguém, a tal alma gêmea, e se entregam muitas vezes aos primeiros pares de olhos que piscam para o seu lado. Vale tudo nessa guerra, chat, carta, e-mail, agência, festas e até roubar o parceiro de alguém. É uma guerra para não ficar sozinho. Medo?

Com medo de se encarar no espelho e perceber as próprias deficiências? Com medo de encarar a vida e suas lutas? Então a pessoa consegue alguém (ou acha que está nascendo um grande amor), fecha os olhos para a realidade e começa a viver um sonho. Trancado em si mesmo, nos quartos e no seu egoísmo, a pessoa transfere toda a sua carência para o (a) parceiro (a), transfere a responsabilidade de ser feliz para uma pessoa. Que na verdade ela mal conhece. Então, um belo dia, vem o espanto, a realidade, o caso melado, o falso amor acaba, e você que apostou todas suas fichas nesse romance fica sem chão, sem eira nem beira, e pior: muitas vezes fica sem vontade de viver.

Pobre povo desse século da pressa!

Precisamos urgentemente voltar ao costume antigo de ter tempo, de dar um tempo para o tempo nos mostrar quem são as pessoas. Namorar é conhecer, é reconhecer, é a época das pesquisas, do reconhecimento… Se as pessoas não se derem um tempo, não buscarem se conhecer mais, logo em breve teremos milhares de consultórios lotados de depressivos e cemitérios cada vez mais cheios de suicidas… seres cansados de si mesmos…

Faça um bem para si mesmo e para os outros. Quando iniciar um relacionamento procure dar tempo para tudo: passeie muito de mãos dadas, converse mais sobre gostos e preferências, conheça a família e mostre a sua, descubra os hábitos e costumes. Parece careta demais? Que nada, isso é a realidade que pode salvar o relacionamento e muitas vidas.

Pense nisso e se gostar, passe essa mensagem para frente; quem sabe juntos, não ajudamos alguém carente de amor a encontrar um motivo para ser feliz? Muita pretensão? Não… apenas vontade de ser feliz!

Luís Fernando Veríssimo é Jornalista e escritor com diversas obras publicadas.