Família e Modernidade

Os fundamentos de nossa estrutura social estão sendo sacudidos por um vendaval de insanidades. A incompreensível revolta contra a ordem existente está agora desafiando algumas das instituições mais tradicionais, notadamente, a família.

Certas colocações recentes, fundadas, decerto, numa concepção equívoca de modernismo, pretendem reduzir a família a um conglomerado transitório e acidental, em que o amor é perfeitamente dispensável. São bem poucas as pessoas que pensam assim, comparadas à maioria das que assim não pensam. Mas, como as primeiras têm a seu favor a vantagem de uma bandeira aparentemente libertária e as últimas nem sempre se aperceberem dos riscos sociais que adviriam caso tais exceções virassem regra, cabe, em meio a tantos apelos desagregadores, uma recomendação de prudência e de moderação, pois o que torna grave as doenças graves, é a gravidade do seu contágio.

Exceto o amor de Deus, de todos os sentimentos humanos nenhum é mais natural e necessário do que o amor à família. E não há nenhuma incompatibilidade em ser progressista e defender a constituição tradicional da família, baseada na responsabilidade dos pais, no respeito dos filhos e no amor de ambos. Pelo contrário, qualquer pretensão de progresso e de desenvolvimento material supõe a afinidade de sentimentos e a comunhão de ideias só adquiridas na família. Exatamente por ser a unidade básica da sociedade, é que o Estado não só a coloca sob proteção especial, como ainda lhe confere direitos específicos.

Reconhecer, pois, o valor da família, é um imperativo natural. Lições há que, não ensinadas no lar, jamais serão aprendidas. A reconstrução do mundo depende da reconstrução do lar como célula mater da sociedade.

É a educação doméstica, mais do que a educação escolar, que molda o caráter do homem, dotando-o de princípios morais que o acompanham a vida inteira.

Enganam-se grosseiramente os que definem a família como mero conglomerado de pessoas em volta de um aparelho de televisão, sem relações permanentes e laços afetivos duradouros.

Nenhum racionalismo desumano e obtuso tem condições de relegar a família a plano secundário. Ela é fundamental a qualquer forma ou sistema de vida organizada. E todos aqueles que tentarem subtrair a beleza de sua força moral, fracassarão, pois tem raízes profundas cravadas no coração.

Marcos Osmar Schultz – Pastor

Foto de Pericles Ramos

Pericles Ramos

Olá, sou Pericles Ramos, sou Terapeuta Familiar e Palestrante na área da Família, formado em Filosofia e Teologia. Há 27 anos, escrevo artigos para sites e apresento programas em várias rádios.

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