Falta o clímax

Os homens também têm dificuldade em atingir o orgasmo. Segundo o Projeto de Sexualidade do Hospital das Clínicas de São Paulo (Prosex), pelo menos um quarto das mulheres sofrem com a anorgasmia. Entre os homens, é difícil mensurar. As poucas estatísticas vêm dos consultórios médicos, que começam a receber pacientes em busca de ajuda.

A anorgasmia não significa qualquer alteração fisiológica. O problema é que não há prazer associado à ejaculação. Não há a descarga energética que vem com o orgasmo, explica o sexólogo Arnaldo Risman, da Universidade Aberta à Terceira Idade (Unati) da Uerj.

Segundo o urologista Joaquim de Almeida Claro, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), para compreender a disfunção, é preciso dissociar a ejaculação do orgasmo. Ele explica que, fisiologicamente, são dois processos diferentes que podem ocorrer juntos ou não.

Tanto que o pênis funciona normalmente, fica ereto e ejacula. Às vezes, o bloqueio sensorial é tão grande, que o órgão sexual executa tudo a que é mandado, inclusive emite sêmen, mas o cérebro não sente o prazer do orgasmo, completa o urologista e terapeuta sexual Celso Marzano.

A anorgasmia está associada, principalmente a pressões psicológicas, como estresse, problemas sociais e econômicos, sem contar a cobrança social e cultural de que o homem seja sexualmente ativo.

O caráter efêmero das relações na atualidade, a falta de intimidade, cumplicidade e paciência entre os casais também contribuem para agravar o problema. Se o homem reclama que não atinge o clímax, é porque se conscientizou de que uma relação sexual vai muito além de pênis ereto e ejaculação, pondera Rizman. A sexualidade deve ser explorada de forma inteira. Nas relações em que não existe intimidade, não há a preocupação de conhecer o corpo do parceiro e dar prazer a ele, diz.

Outra vilã é a vaidade masculina exagerada, que pode se tornar patológica e afetar o desempenho na cama. O indivíduo passa a se fechar tanto nele mesmo que não tem prazer com mais ninguém, a não ser com ele mesmo, afirma Rizman.

Se não é possível resolver todas as questões, é possível amenizar o sofrimento. Falar sobre o assunto, com a companheira e com o médico é um bom primeiro passo.

 

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Pericles Ramos

Olá, sou Pericles Ramos, sou Terapeuta Familiar e Palestrante na área da Família, formado em Filosofia e Teologia. Há 27 anos, escrevo artigos para sites e apresento programas em várias rádios.

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