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Filhos: Como Educá-los?

Ensine a criança no caminho em que ela deve andar. Você como pai e mãe, precisa passar um modelo saudável de comportamento, pois a criança copia comportamentos e os repetirá em seguida. Deve-se evitar os extremos de, por um lado, agir com muita rigidez , e, por outro lado, com muita liberalidade. Uma criança não se torna mais feliz quando se a deixa fazer tudo o que ela quer ou quando ela ganha tudo o que deseja.

Antigamente atuava-se com autoridade e não havia diálogo e orientação afetiva. A tendência hoje passou a ser diferente, há mais diálogo, há afeto através de presentes (viagens, presentes), mas parece ter havido uma perda da postura de autoridade que a criança necessita ver nos pais.

Uma criança e mesmo um jovem não conseguem se comportar bem apenas com um diálogo racional, sem alguma restrição. Sem restrições (para o bem da pessoa) a criança passa erradamente a sentir que ela é a dona da situação, enquanto que na realidade ela não é. É importante compreender que a criança é igual ao pai e mãe no sentido de serem pessoas com sentimentos, com necessidades afetivas. Mas não são iguais, obviamente, quanto à responsabilidade. Isso significa que você, pai e mãe, precisam ser sensíveis para com a necessidade afetiva do seu filho ou filha, mas não caírem na armadilha que eles podem colocar, quando apelam para as emoções, passando por cima da razão que aponta caminhos de saúde, de harmonia e de respeito na família.

Se uma criança não aprende a obedecer seus pais, provavelmente ela terá dificuldade de obedecer outras figuras de autoridade na sociedade, e isto poderá colocá-la numa situação difícil e até dolorosa no futuro. Há uma hierarquia normal na sociedade, e isto precisa ser respeitado para o bom funcionamento da vida. Acho que as crianças e os jovens hoje têm maiores lutas e desafios e estão sob uma pressão destrutiva do caráter, e, portanto, dos bons costumes que facilitariam um viver feliz, muito maior que gerações anteriores. Existe uma superficialização da vida, uma tendência de obter prazer já, imediatamente, sem ser ensinado aos filhos os valores da paciência, do aprendizado a lidar com a frustração. O mundo está muito mais ansioso do que há décadas atrás. Quando digo “ansioso” quero dizer acelerado no mau sentido. É, sem dúvida, maravilhoso o avanço tecnológico. Porém, as crianças obtém precocemente muito mais informações do que elas têm capacidade e maturidade para administrar. Por isso, há um preço sobre a saúde física e mental delas doloroso.

Há uma sexualidade precoce. Uma tensão muito grande quanto ao mercado de trabalho. Fisicamente as meninas menstruam mais cedo (efeitos também de hormônios colocados em alimentos para maior produção e lucros, além dos outros fatores estressantes). Jovens de ambos os sexos praticam sexo genital quando não possuem ainda maturidade emocional para lidar com isso. Estão prontos para o sexo somente por terem pênis e vagina e poderem experimentar o orgasmo. Mas estão quase que totalmente desprovidos de maturidade emocional para lidar com uma gravidez indesejada, um aborto, uma doença sexualmente transmitida, a AIDS, além de situações de namoro precoce e extremamente erotizado (aqui a mídia joga um papel de fornecer uma péssima educação e são definidamente responsáveis, junto com os pais, neste problema social complexo). No Brasil mais de um milhão e duzentos mil meninas abortam por ano.

Os pais precisam ensinar seus filhos:

1) O autodomínio. A criança não deve ser deixada fazer pirraça e exigir o que ela quer na hora que ela quer. Claro, você, pai e mãe, precisam ser bons exemplos de autodomínio também! Como você reage quando não consegue o que deseja? Diz palavrões? Quebra alguma coisa? Fica com tanta raiva que corre no armário para tomar um tranquilizante e a criança vendo? Toma um drinque para se acalmar, ao invés de lidar construtivamente com suas emoções dolorosas? A criança vai fazer o que ela viu você fazer. Gratifique-a com beijos, abraços, elogios sinceros, quando ela conseguir fazer algo que você sabia que seria difícil para ela, que exigiu dela autocontrole. Diga palavras, com sorriso, assim: Viu? Eu sabia que você era capaz de conseguir isto! Muito bem!

2) Toda vez que a criança falar uma palavra errada, uma gíria, corrija com carinho, dizendo a palavra certa e elogiando-a na primeira oportunidade que ela falar a palavra correta. Não use palavrões com seus filhos. Não acredite que isto é coisa bonita, moderna ou de macho. É sim, de pessoas mal educadas.

3) Ensine seu filho a agradecer pelo que ela recebe, seja presente material, seja carinho, seja um passeio. Pai e mãe não são empregados dos filhos, que os têm de servir em todos os desejos deles.

4) Exija obediência com amor, mas com firmeza. O não do pai ou mãe deve ser obedecido. Evite dizer sim e não precipitados, para não ter de voltar atrás depois, o que destrói o respeito da criança pelos pais.

5) Ensine o valor sublime da vida que não é o material. O abuso álcool (outro dia soube que numa excursão de um bom colégio da cidade, jovens voltaram embriagados, triste, não?) o uso de drogas ilícitas pode estar relacionado também com uma perda do motivo para viver porque os modelos de vida podem ser materialistas e os jovens usam isto de uma forma autodestrutiva.

Cesar Vasconcellos de Souza – Médico psiquiatra do CAVS – Centro Adventista de Vida Saudável e do Hospital Adventista Silvestre.