Real beleza

Na busca pela beleza vale qualquer sacrifício? Desejos de perfeição podem criar sentimentos de ansiedade e insegurança  em relação à aparência.

Toda mulher tem sua beleza: cabelos lisos ou encaracolados, pele clara ou negra, seios fartos e curvas generosas, altas, baixas ou de estatura mediana. Mas, o conceito de belo muda a cada dia e impõe padrões que, geralmente, são irreais, inatingíveis.

Mesmo com várias conquistas ao longo dos anos, como a inserção da mulher no mercado de trabalho, elas ainda se cobram muito por não se adequarem aos padrões de beleza das capas de revistas. Foi o que mostrou um estudo global da marca Dove em 2004.

A pesquisa envolveu 3.300 mulheres, com idade entre 15 e 64 anos, em 10 países (Estados Unidos, Canadá, México, Brasil, Reino Unido, Itália, Alemanha, Japão, China e Arábia Saudita). Nove entre dez entrevistadas gostariam de mudar algo na aparência, como o peso, a forma e a altura.

A busca pela beleza ideal

Nesta busca sem fim pela “perfeição”, as mulheres estão dispostas a diversos sacrifícios: cirurgias plásticas, tratamentos para alisar os cabelos, perder gordura, eliminar celulite, pneuzinhos, rugas etc., sem falar nos regimes malucos, que só trazem prejuízos à saúde. Quatro mulheres em cada dez que participaram da pesquisa disseram já ter feito dieta.

“A percepção de beleza e imagem corporal estão distorcidas. É preciso que as mulheres resgatem a autoestima, a autoaceitação”, orienta Rachel Moreno, psicóloga e autora do livro “A beleza impossível”.

A especialista lembra que a obsessão por ficar cada vez mais magra, por exemplo, pode levar a distúrbios como bulimia e anorexia. “Não podemos ser uma nação de Barbies”, alerta Rachel.

Modelos que estampam as capas de revistas, geralmente magras, brancas, altas e loiras, não podem ser consideradas como padrão de beleza a ser seguido no Brasil, onde a mulher apresenta um biotipo muito particular. “A beleza da brasileira vem da diversidade: é uma mescla de raças e etnias. São brancas, negras, mulatas, índias, mestiças, nisseis, sanseis…”, lembra Rachel.

É difícil se sentir bela?

Dois terços das entrevistadas no estudo de Dove já evitaram atividades como ir à praia, ao clube, comprar roupas ou praticar uma atividade física devido a um sentimento negativo em relação a aparência. Somente duas mulheres em cada dez estão satisfeitas com sua aparência física geral, peso e formato do corpo.

“A mulher brasileira deve valorizar o que ela tem de mais bonito. Vale brincar, mudar a aparência, como cortar ou pintar os cabelos, mas sem que isto seja imposto como um padrão de beleza, necessário para ser feliz. Também não é preciso ocultar todas as marcas do passar dos anos. As rugas existem e o tempo não apaga as vivências, a experiência e a sabedoria”, diz a psicóloga.

Foto de Pericles Ramos

Pericles Ramos

Olá, sou Pericles Ramos, sou Terapeuta Familiar e Palestrante na área da Família, formado em Filosofia e Teologia. Há 27 anos, escrevo artigos para sites e apresento programas em várias rádios.

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