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28 de junho de 2017
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Doença psicossomática

 

Os gregos já entendiam que existia uma ligação entre  a psique e o soma,  entre corpo e mente, que era capaz de garantir a saúde ou a doença dos indivíduos. Se a tranquilidade aliada ao equilíbrio emocional é capaz de garantir muitos anos de uma vida sem muitos comprometimentos ou doenças físicas, o estresse em doses homeopáticas no nosso dia a dia é capaz de destruir ou comprometer tanto nosso equilíbrio emocional como semear nossos campos para o surgimento de muitas doenças.

As Doenças Psicossomáticas  podem ser definidas por perturbações cuja queixa vem acompanhada de alterações constatáveis clinicamente, ou seja, são doenças causadas ou intensificadas por razões emocionais. Estas doenças não são imaginadas pelas pessoas ou mesmo criadas, elas são o resultado da má administração do estresse e seus desdobramentos. Todos nós sofremos diariamente uma carga de pressão considerável que com o tempo aprendemos a suportar e conviver que geram desconforto e uma serie de reações orgânicas nitidamente reveladoras.

Muitas pessoas não se dão conta ou conhecem pouco  seus limites de estresse. São capazes de ultrapassá-los com tanta facilidade como se fosse um sinal de força, dedicação e determinação. Será que isso é verdadeiro?

Ultrapassar limites envolve recursos emocionais, discernimento, ponderação, confiança, determinação, reconhecimento dos sentimentos negativos, dentre outros e preparo físico  boa saúde, cuidado com a alimentação, boa qualidade do descanso, pratica de exercícios físicos leves e regulares, entre outras coisas. Ultrapassar limites não deveria ser uma pratica, mas uma circunstancia. Será que nos preparamos de fato para ultrapassar nossos limites com tanta frequência? A resposta é não.

Não temos claro o que representa ou mesmo o que é o tal estresse e o que ele pode nos causar. Achamos que conosco nunca vai acontecer nada, somos diferentes e não estamos de fato correndo tanto risco assim.

Muitas das doenças conhecidas nascem nas dores emocionais e não estamos falando dos fatos impactantes como perder um ente querido, um trabalho, se separar, mas das tensões diárias, das irritações e frustrações do dia a dia que excedem o razoável.

Aquele estímulo negativo insistente diário como:  transito, horas para chegar no trabalho, fazer as refeições com pressa no meio do local de trabalho, tratar de trabalho enquanto se alimenta, pular refeições, não ter hora para sair do escritório, exercer tarefas com graus comprovados de tensão e não obedecer aos descansos indicados, dormir pouco e não descansar, não fazer exercícios leves e regulares, fumar, beber, dentre outros , são os chamados estímulos estressores que podem nos conduzir as doenças psicossomáticas.

Entendemos por estímulo estressor todo e qualquer estímulo que seja capaz de provocar o surgimento de um total de respostas orgânicas, mentais , psicológicas e comportamentais, relacionadas com alterações fisiológicas. Analisando a nossa rotina, seremos capazes de identificar um série de estímulos estressores com os quais convivemos e já nos adaptamos de alguma forma e já fazem parte de nossa vida e, no momento, não são capazes de causar grandes transtornos. Cada pessoa é capaz de suportar um tanto de estresse no seu dia a dia, mas se este limite ou suporte estiver muito estreito qualquer situação nova, positiva ou não, pode levar este indivíduo a se comprometer física e psicologicamente.

Alguns exemplos clássicos das Doenças Psicossomáticas são: asma brônquia, hipertensão arterial essencial, psoríase, retocolites ulcerativas, alergias, gastrites, câncer, dentre tantas outras.

As doenças psicossomáticas nascem no silêncio de nossas rotinas, nas frustrações, angustias, ansiedades e tristezas que podem nos acompanhar todos os dias de nossas vidas.

Felicidade  e saúde são objetivos que se constroem todos os dias, com realizações simples e atos pequenos a nosso favor, como: ouvir uma boa música (no carro que seja), não exagerar na comida, tomar um sorvete andando na rua em um dia quente, sair mais cedo de casa para não pegar tanto transito, ligar para um amigo que faz tempo que não vemos, chegar do trabalho e dar uma caminhada, tentar dormir mais cedo, ser pró-ativo e não deixar que os problemas cresçam de maneira angustiante e tentar tem paciência com a vida.

Somos muito mais competente do que imaginamos para nos proteger e nos realizar. O que precisamos é acreditar nisso.

 

Silvana Martani é Psicóloga e Professora em São Paulo. Amiga e colaboradora do Cada Dia. Autora de artigos para revistas, jornais e do livro Uma Viagem para a Puberdade e Manual Teen, para orientação dos jovens.