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Linguagem corporal

Ainda não há estudos ou trabalhos que expliquem a dimensão do potencial da linguagem do corpo, mas alguns estudiosos no assunto chegam a calcular que 55% de nossa comunicação é feita por intermédio de gestos e posturas. Seja como for, o certo é que o corpo é um espelho revelador de nosso inconsciente. Por exemplo: se você sentar para uma reunião familiar e mantiver a bolsa sobre o colo, estará emitindo sinais de que não se sente à vontade. Esse desconforto ficará ainda mais evidente se a posição de seus pés estiver em direção à porta. Significa que você quer sair de onde está de qualquer jeito.

Podemos até mentir com as palavras. Com o corpo, jamais. Portanto, cuidado ao inventar para o chefe alguma desculpa para seu atraso no trabalho. Você pode ser traído por sua linguagem nao-verbal, se ele conhecer um pouquinho sobre o assunto.

Lembra-se quando sua mãe dizia que mentiras fazem o nariz crescer? Pois, segundo os especialistas em comportamento, costumamos encostar freqüentemente o dedo indicador na ponta do nariz quando estamos mentindo. A explicação para esse gesto inconsciente pode ser um sutil aumento da pressão sangüínea no nariz em conseqüência da tensão emocional, provocando uma coceirinha que os psicólogos chamam de efeito Pinóquio.

AO PÉ DA LETRA

Muita calma, porém, ao julgar as pessoas somente pelos gestos e posturas para não correr o risco de interpretações erradas. Quem sofre de finite, por exemplo, vive coçando o nariz. “Não se pode generalizar. A leitura da linguagem corporal envolve uma série de fatores, até porque cada indivíduo é único”, explica a psicóloga Adelina Rennó, do Instituto de Psicologia Aplicada da Universidade de São Paulo.

Além disso, é preciso levar em conta as características culturais. Quem gesticula muito durante um bate-papo, passa a mensagem de nervosismo e ansiedade, segundo os psicólogos. Esqueça, porém, essa  teoria se o interlocutor for um italiano ou seu descendente, pois a gesriculação acentuada c freqüente é característica da raça italiana. Entretanto, se ele for alemão, a leitura da expressão corporal poderá ser mais que válida.

ENTENDENDO A MENSAGEM

O rosto talvez seja a parte mais expressiva de todo o corpo. Especialista no ensino de expressão verbal, Reinaldo Polito destaca cm um dc seus livros que o semblante funciona como uma espécie de tela, na qual as imagens do nosso interior são apresentadas cm todas as suas dimensões. De acordo com o professor, o queixo, a boca, as faces, o nariz, os olhos e as sobrancelhas trabalham isoladamente, ou em conjunto, para demonstrar idéias e sentimentos. Experimente se olhar no espelho com a boca semi- aberta e os olhos abertos. Viu sua cara de espanto e surpresa?

Nem só os olhos são capazes de captar os sinais da expressão corporal. Mais do que qualquer outra coisa, nosso inconsciente vive ligado nos gestos e posturas e, muitas vezes, capta mensagens que passam despercebidas pelo olhar. Talvez esteja aí a explicação para o fato de antipatizarmos logo de cara com alguma pessoa que acabamos de conhecer e que nem sequer abriu a boca. No livro O corpo fala, os autores Pierre Weil e Roland Tompakow explicam que isso acontece quando a linguagem do interlocutor nos transmite conflitos com nossos interesses. Segundo eles, instintivamente desaprovamos pessoas que desviam o olhar do nosso durante um diálogo ou que não respondem ao nosso aperto de mão com firmeza.

A TODO INSTANTE

Seja qual for a situação, o que vale são os gestos involuntários e não aqueles fabricados ou ensaiados para certas ocasiões. Mesmo assim, atenção com a sua linguagem corporal na hora de procurar emprego, conquistar o amor dc sua vida ou apresentar uma palestra. Carlos Cavalheiro, vice-presidente do Grupo Catho, uma das maiores empresas de recrutamento de pessoal do Brasil, garante que a linguagem corporal tem peso significativo na contratação dc funcionários. “Pesa tanto quanto a competência e a experiência profissional do candidato”, compara.

Na disputa por uma vaga no mercado de trabalho, ganha pontos o candidato que se apresentar com a cabeça e a coluna eretas durante a entrevista com o selecionador, pois são posturas que indicam segurança. Não se pode dizer o mesmo daqueles que mantêm a cabeça baixa, tórax c abdômen reprimidos. Essa postura passa uma imagem de submissão total. Em contrapartida, olhos ameaçadores, queixo eiguido e ar de superioridade costumam criar um distanciamento nas relações interpessoais.

Fonte Revista Coop